Mulher usando fones de ouvido com cara de assustada.

Histórias Musicais Bizarras – Casos Sem Explicação

Com o avanço da ciência e, principalmente, da medicina, muitas anomalias psíquicas e físicas envolvendo música e arte puderam ser respondidas. Mesmo assim, alguns casos permanecem inexplicados.

O médico que virou pianista por causa de um raio

Tony Cicoria é um médico cirurgião ortopedista dos Estados Unidos que ficou conhecido por um caso curioso e muito estudado na neurociência. Em 1994, ele foi atingido por um raio enquanto falava ao telefone público.

Assim que o raio o atingiu, Tony relatou:

Eu estava voando para frente. Atordoado. Olhei em volta. Vi meu corpo no chão. Caramba, estou morto, pensei. Vi pessoas convergindo para o corpo. Vi uma mulher – que tinha estado logo atrás de mim, esperando para usar o telefone – debruçar-se sobre o meu corpo e fazer a reanimação cardiorrespiratória. Flutuei para as estrelas. Minha consciência veio comigo; vi meus filhos tive a percepção de que eles ficariam bem. E então fui envolvido por uma luz branco-azulada… uma sensação de bem estar e paz. E justo quando eu dizia a mim mesmo ‘esta é a sensação mais deliciosa que já tive’ – BAM! Eu voltei “.

Após sobreviver ao acidente e passar pela recuperação física, Cicoria começou a apresentar uma mudança inesperada: desenvolveu um forte interesse por música, especialmente por piano, mesmo nunca tendo estudado música antes. Esse interesse não era apenas curiosidade ou lazer, mas um impulso intenso de ouvir, tocar e compor, como se a música surgisse em sua mente e precisasse ser colocada em prática.

O neurocientista Oliver Sacks escreveu sobre a história do médico Tony Cicoria, dizendo que após esse súbito desejo por música de piano, Cicoria começou a ouvir música na cabeça, mas não se tratava de uma alucinação musical. A primeira vez que Tony Cicoria ouviu música foi em um sonho, onde ele tocava uma música de sua autoria (que não existia). Ele tentou escrever ou reproduzir a música de seu sonho mas não conseguiu.

Tony Cicoria começou a estudar piano, e toda vez que ele se sentava ao piano para tocar Chopin, lá vinha a música de seu sonho. Ele disse: “ela (a música), chegava e se apoderava de mim. Tinha uma presença imperiosa“. O médico, que antes de ser atingido por um raio era um sujeito tranquilo, quase indiferente à música, estava agora inspirado e até mesmo “possuído” pela música. Por isso, ele começou a achar que talvez tivesse sido “salvo” por uma razão especial, veja o que ele disse:

Acabei achando que a única razão de eu ter tido permissão para sobreviver era a música“.

Este episódio de Tony Cicoria continuou sem respostas científicas. Depois do raio, o médico passou a tocar e compor peças para piano. Sua obra mais conhecida é a Lightning Sonata (Sonata do Raio), uma sonata para piano solo que faz referência direta ao episódio em que ele foi atingido por um raio. O nome não é um título formal no sentido acadêmico tradicional, mas um apelido recorrente usado em textos de divulgação e em apresentações para identificar essa composição ligada ao evento neurológico.

Franco Magnani, o Artista da Memória

Outro caso bizarro e sem explicação, também relatado por Oliver Sacks, foi o do pintor italiano Franco Magnani, conhecido como o “Artista da Memória”. Um homem que não era artista, mas após crises mentais desenvolveu uma necessidade de pintar sua cidade natal italiana, Pontito, cidade onde ele viveu sua infância, mas que foi invadida e desfigurada pelos soldados nazistas. Franco Magnani, que vivia nos Estados Unidos, conseguia recordar de sua cidade através de sonhos conscientes e visões. O que chamou a atenção de muitos, além da obsessão desenvolvida por Franco Magnani, foram os ricos detalhes que sua pintura apresentava. Sobre esse caso, Oliver Sacks escreveu:

Franco nunca pensara em ser pintor antes de sofrer uma estranha crise ou doença – talvez uma forma de epilepsia do lobo temporal – quando, aos 31 anos, passou a sonhar todas as noites com Pontito, o pequeno vilarejo toscano onde nascera. Depois que ele acordava, aquelas imagens permaneciam intensamente vívidas, perfeitas em profundidade e realidade (como hologramas). Franco foi arrebatado pela necessidade de tornar reais aquelas imagens, e por isso aprendeu sozinho a pintar e dedicava cada minuto de seu tempo livre a produzir cenas de Pontito“. — Oliver Sacks.


Referências

(de onde tiramos essas informações)

SACKS, O. Alucinações Musicais. Companhia das Letras. São Paulo, 2007.


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