Mulher deitada com olhos fechados enquanto um médico examina seu rosto.

Música no Tratamento Dermatológico 

Além de expressão artística e sensível, a música tem sido usada cada vez mais como intervenção terapêutica. Os efeitos benéficos da música e da musicoterapia são expressos em diversos artigos aqui no Cérebro Musical.

Nós já falamos dos benefícios da música na gravidez, em terapia com pessoas neurodivergentes, na terapia de pessoas com Alzheimer, inclusive já sabemos que a música pode auxiliar no alívio das dores.

Mas você sabia que a música também pode ser benéfica nos tratamentos dermatológicos? Um artigo de 2023 identificou vários cenários em que a música pode auxiliar no tratamento dermatológico.

Música no Tratamento Dermatológico

A música pode ser eficaz no tratamento de doenças de pele, ou prurido (termo médico para coceira, ou sensação desconfortável na pele que leva ao desejo de coçar). Assim como na dor, a música pode atuar ativando circuitos neurais inibitórios. Ou seja, o uso da música pode ser um método simples para o manejo do prurido crônico.

Evidências indicam que a música pode ser, por exemplo, um ótimo tratamento para a psoríase. Um estudo revelou que 65% dos pacientes que ouviram música tiveram melhora no quadro da doença. Além de diminuir em 86% a vontade de coçar.

Outra pesquisa de 2019, também identificou que a música pode ser eficaz no tratamento de doenças como psoríase, dermatite atópica e eczema de contato. Os resultados da pesquisa indicaram que:

“Entre os pacientes que receberam a intervenção musical, 64% relataram sentir uma melhora, 91% recomendariam a intervenção musical e 64% gostariam de continuar esta prática”.

Música Durante o Procedimento Cirúrgico

Um estudo muito interessante, feito com pacientes de cirurgia de câncer de pele (Mohs), indicou que ouvir música durante o procedimento cirúrgico afetou positivamente os pacientes, diminuindo a dor e ansiedade. Curiosamente, a ansiedade do cirurgião também diminuiu significativamente quando os pacientes ouviram música durante o procedimento cirúrgico.

Outro estudo de 2020 indicou que a música pode diminuir a dor durante a anestesia local. Nesse estudo, os participantes ouviram os noturnos para piano de Chopin durante a injeção de lidocaína. Segundo os pesquisadores, a intervenção musical reduziu significativamente a dor e a ansiedade em comparação à injeção sem música.

Por que isso acontece?

Na verdade, ainda não se sabe exatamente o porquê a música é capaz de afetar nossa mente e corpo. Mesmo assim, existem muitos estudos que demonstram os efeitos positivos e físicos que a música é capaz de produzir no corpo humano.

As principais teorias sugerem que a música pode envolver o sistema nervoso parassimpático e diminuir os efeitos do sistema nervoso simpático, induzindo o relaxamento e reduzindo o stress.

Outra teoria sugere que a música pode afetar os neurotransmissores envolvidos na recompensa, prazer, stress, excitação e movimento. E, por conta disso, a música pode alterar a cascata imune e inflamatória diminuindo os níveis de cortisol, modificando os níveis de imunoglobulina (IgE e IgA) e alterando as concentrações de citocinas.

No contexto da dermatologia, uma vez que muitas condições de pele estão diretamente ligadas ao estresse, inflamação, e respostas imunomediadas, as intervenções clínicas musicais podem impactar diretamente as manifestações fisiológicas e psicológicas da doença.


Referências

(De onde tiramos essas informações)

Demirtas S, Houssais C, Tanniou J, Misery L, Brenaut E (2020) Effectiveness of a music intervention on pruritus: an open randomized prospective study. J Eur Acad Dermatol Venereol 34(6):1280–1285

Lazaroff I, Shimshoni R (2000) Effects of medical resonance therapy music on patients with psoriasis and neurodermatitis–a pilot study. Integr Physiol Behav Sci Off J Pavlov Soc 35(3):189–198

Riew, G.J., Kamal, K., Hijaz, B. et al. Clinical music interventions and music therapy in dermatology. Arch Dermatol Res 315, 2485–2490 (2023). https://doi.org/10.1007/s00403-023-02634-1


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