Música Pode Aumentar Nossa Tolerância à Dor?
Sim!
Hoje, o artigo já começa com spoiler – A música pode SIM aumentar nossa resistência (ou tolerância) contra a dor!!! Mas, como isso é possível?
Antes de tudo, é importante mencionar que quando falamos de dor, estamos aqui fazendo menção ao tipo de dor física, aquela que geralmente tentamos resolver tomando um remédio (que pode até causar efeito colateral).
Em ambientes hospitalares e ambulatoriais, a dor física é um problema mundial. Por isso, várias pesquisas sobre combate à dor estão surgindo, principalmente com alternativas que busquem o alívio da dor por meios não farmacológicos (remédios), como é o caso da Música!
Música no Combate à dor?
A implementação de música para pacientes hospitalizados demonstrou benefícios no tratamento de problemas como dor, ansiedade e estresse. Além disso, a música mostra benefícios em condições de dor crônica, e evidências indicam que ouvir música reduz a necessidade de analgésicos em pacientes submetidos à cirurgia.
Na prática clínica, vários estudos demonstraram que a música é capaz de aliviar a dor. Alguns desses realizaram intervenções musicais dentro da sala de cirurgia, enquanto outros aplicaram em UTIs e pós-operatórios. Enfim, são diversos tipos de pesquisas na área.
Na verdade, existem várias teorias que tentam explicar como a música influencia o corpo humano, sendo capaz de reduzir a dor. Mas é importante falar que até hoje não se sabe o porquê isso acontece. A chamada Analgesia Induzida por Música (anestesia causada por música) permanece um mistério.
Possíveis Respostas
Em um artigo de 2020, pesquisadores chineses disseram que a música pode estimular as ondas α do cérebro, desencadear relaxamento e diminuir a tensão muscular. Ouvir música estimula o sistema nervoso parassimpático, restringindo a ação do sistema nervoso simpático agindo no alívio da ansiedade.
“Terapias musicais são intervenções naturais que incorporam múltiplos aspectos como recuperação física, emocional, psicológica, espiritual e social. As intervenções propostas têm poucos efeitos colaterais e estratégias de alta relação custo-desempenho que são fáceis de usar e aplicar”.
Além disso, a música também estimula o sistema límbico, levando à liberação de endorfinas, um tipo de neurotransmissor que causa uma sensação de bem-estar em humanos. Mas ainda não sabemos o porquê isso acontece.
O que Dizem as Pesquisas?
O efeito analgésico da música foi demonstrado em pesquisas realizadas na China, em 2023, em pacientes com queimaduras que, quando a música foi tocada durante o tratamento de rotina da ferida, sentiram menos dor em comparação com o grupo de controle do paciente. Os pesquisadores escreveram:
“A intervenção musical em pacientes antes, durante e após a troca de curativos para queimaduras reduziu significativamente a dor. A ansiedade diminuiu significativamente durante e após a troca de curativos”.
Outra pesquisa identificou que uma única intervenção de musicoterapia foi eficaz na redução da dor em pacientes de cuidados paliativos. Além disso, a pesquisa identificou que houve uma diminuição significativa nos níveis de dor desses pacientes. Os pesquisadores concluíram:
“Os resultados desta pesquisa parecem indicar que uma única intervenção de musicoterapia reduziu a dor em pacientes hospitalizados em cuidados paliativos. Um achado digno de nota é a eficácia da própria intervenção”.
Existem até mesmo evidências que a música pode até diminuir a dor física em pacientes com câncer, como mostra um estudo de 2023 por pesquisadores da Universidade Drexel, na Filadélfia – EUA.
O Sensível Conta!
São muitos os exemplos de pesquisas sobre o efeito da música no combate à dor física. Mas, neste momento, é importante falar que muitas dessas pesquisas indicam algo em comum: o gosto musical pode influenciar. Isso quer dizer que, na maioria das pesquisas, quando os pacientes ouviram as músicas que gostavam, os resultados eram melhores!
Por isso, sempre falamos sobre o prazer estético e sua importância quando falamos sobre apreciar música ou utilizá-la como terapia.
Referências
(De onde tiramos essas informações)
Bradt J, Dileo C, Myers-Coffman K, Biondo J. Music interventions for improving psychological and physical outcomes in people with cancer. Cochrane Database of Systematic Reviews 2021, Issue 10. Art. No.: CD006911.DOI: 10.1002/14651858.CD006911.pub4.
Hsu KC, Chen LF, Hsiep PH. Effect of music intervention on burn patients’ pain and anxiety during dressing changes. Burns. 2016;42(8):1789–96. pmid:27263418
Kathy Jo Gutgsell, Mark Schluchter, Seunghee Margevicius. Music Therapy Reduces Pain in Palliative Care Patients: A Randomized Controlled Trial. Gutgsell KJ, Schluchter M, Margevicius S, DeGolia PA, McLaughlin B, Harris M, Mecklenburg J, Wiencek C. J Pain Symptom Manage 2013;45(5):822e831
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Van der Valk Bouman, E.S., Becker, A.S., Schaap, J. et al. The impact of different music genres on pain tolerance: emphasizing the significance of individual music genre preferences. Sci Rep 14, 21798 (2024). https://doi.org/10.1038/s41598-024-72882-2
Yu, R., Zhuo, Y., Feng, E. et al. The effect of musical interventions in improving short-term pain outcomes following total knee replacement: a meta-analysis and systematic review. J Orthop Surg Res 15, 465 (2020). https://doi.org/10.1186/s13018-020-01995-x







