Como pessoas diferentes podem ter o mesmo gosto musical e experiências emocionais iguais?
Você já percebeu que uma música capaz de emocionar você pode não causar absolutamente nada em outra pessoa?
Sabemos que o gosto musical é altamente subjetivo, ou seja, varia de pessoa para pessoa. Algumas gostam de canto gregoriano, outras de jazz. Algumas choram ouvindo a Nona Sinfonia de Beethoven, outras se emocionam ouvindo K-pop. E não existe nada de errado nisso. Na verdade, toda essa pluralidade de gêneros e estilos musicais só nos mostram como a música pode ser democrática e versátil.
Mas, a pergunta que fazemos é: Como pessoas diferentes, que ouvem músicas diferentes, podem ter a mesma experiência emocional musical?
A mesma experiência emocional, será?
A resposta é: sim! Isso é possível.
A ciência mostra que indivíduos com preferências musicais distintas podem apresentar respostas neurais e emocionais muito semelhantes quando escutam músicas de que realmente gostam.
Segundo o neurocientista Daniel Levitin, exames de ressonância magnética demonstram um aumento significativo da atividade em regiões cerebrais relacionadas ao prazer, desde que a pessoa GOSTE da música que está ouvindo, independente do gênero ou estilo musical.
Isso significa que o cérebro não responde da mesma forma a todas as músicas, mas sim àquelas que possuem valor afetivo para cada indivíduo. Para algumas pessoas, essa experiência acontece com uma fuga de Bach; para outras, com um samba, um rock, um sertanejo ou um grupo de K-pop.
Em outras palavras, o caminho até o prazer pode ser diferente, mas o circuito cerebral ativado é, em grande parte, o mesmo. É justamente por isso que existem tantos estilos musicais: cada pessoa encontra, em sons diferentes, uma maneira única de acessar os mesmos sistemas cerebrais ligados ao prazer, à emoção e à recompensa.
Música e experiência transcendente?
Em seu livro, I Heard There Was a Secret Chord (Ouvi dizer que havia um acorde secreto), Daniel Levitin escreveu sobre uma pesquisa conduzida por ele com jovens adultos e experiência musical.
Na pesquisa, pessoas relataram ter uma “experiência transcendente”, uma sensação de estar em contato com um poder superior, enquanto ouvem música.
O mais surpreendente foi que apenas 17% dos participantes relataram ter essa experiência com música especificamente religiosa, como gospel, por exemplo. Um número muito próximo dos 15% de ouvintes que tiveram essa experiência ouvindo hip-hop ou rap, com os outros encontrando essa experiência em música alternativa, ambiente, clássico, metal, R & B, soul, EDM e outros gêneros.
Isso quer dizer que essa experiência transcendente não é algo exclusivo da música religiosa, mas está presente em toda arte musical. No fundo, o principal fator que possibilita essa experiência, essa conexão, é nosso gosto musical!
Referências
(de onde tiramos essas informações)
LEVITIN, Daniel J. I Heard There Was a Secret Chord: Music as Medicine. W. W. Norton & Company, New York, 2024







